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Designação

Praça da vila de Alcáçovas

Localização

Évora.Viana do Alentejo,Alcáçovas: Praça da República
 

Descrição

A Praça da vila de Alcáçovas, hoje designada por Praça da República, situa-se no espaço mais antigo do núcleo urbano histórico de Alcáçovas e é delimitada pela Rua do Carmo (antiga Rua do Cano) a Norte, pela Rua Dr. Aleixo de Abreu a Poente (antiga Rua Direita ou da Figueira), pelo Paço “dos Henriques” e Jardim “das Conchas” a Sul e pela Rua dos Ciprestes (antiga Rua das Amadas) a Nascente.

Como praça da vila, este espaço ter-se-á começado a formar a partir dos finais do século XVII, na sequência da passagem da Câmara para “as casas” onde se encontra actualmente sedeada a Junta de Freguesia de Alcáçovas, estas adquiridas por D. Henrique Henriques, antes de 1688, e adaptadas, às suas custas, a câmara, sala de audiências, cadeia e casa do carcereiro, por as antigas se encontrarem em muito mau estado de conservação (Arquivos Nacionais Torre do Tombo, Arquivo da Casa dos Condes de Alcáçovas, maço 18), sendo desta forma “emprestadas” para o serviço da câmara.

Na altura, a praça da vila tinha uma dimensão sobejamente menor, na medida em que o Jardim “das Conchas” se prolongava até à actual Rua do Carmo e a ermida do Espírito Santo ocupava a sua extremidade Poente, no alinhamento da antiga Rua Direita e junto ao Paço dos donatários da vila.

A reduzida dimensão da Praça da vila foi a justificação que a Junta da Paróquia apresentou para deliberar, a 10 de Junho de 1861, que se pedisse ao Conde de Mello autorização para se proceder à demolição da Ermida do Espírito Santo, sua propriedade, uma vez que esta estava “deturpando e obstruindo a praça da vila” (Arquivo da Junta de Freguesia de Alcáçovas., Livro de Actas da Junta da Paróquia de Alcáçovas, 1860-1880, f. 11). Paralelamente, o Conde de Alcáçovas cedia gratuita e espontaneamente uma pequena fatia do Jardim do Paço para “amplitude e maior desafogo da acanhada praça” conforme atesta acta do executivo de 1 de Julho do mesmo ano (Idem, f. 11v). A legitimação de ambos os pedidos terá sido confirmada pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo, vindo a concretizar-se.

A primitiva praça da vila de Alcáçovas situava-se a poucos metros para Norte da actual, ocupando a parte mais a Sul do quarteirão delimitado pelas Rua do Carmo, Rua Dr. Aleixo de Abreu, Rua das Godinhas e Travessa do Salsinha, ou seja, nas traseiras do edifício no qual está sedeada a Junta de Freguesia de Alcáçovas, antigos Paços do concelho seiscentistas, grosso modo no local onde se encontra actualmente o edifício da farmácia e sala de sessões da misericórdia, edificado em 1881, juntamente com outras construções que se encontram a Nascente e a Norte, sendo aberta então para a Rua Direita.

A enumeração dos edifícios públicos e sua localização na primitiva praça, encontram-se descritas no tombo das propriedades da vila do concelho de Alcáçovas (A.N.T.T., Arquivo da Casa dos Condes de Alcáçovas, maço 19), datado de 1536, ano no qual termina a inquirição mandada fazer por D. João III em todo o reino para se averiguarem as propriedades dos concelhos e daí determinar com exactidão a terça real, em virtude de em todo o reino se verificarem abusos de particulares sobre as mesmas. Assim, as casas da câmara, juntamente com os açougues e respectivo alpendre assim como as chamadas casa dos almotacés e “casinha dos almocreves forasteiros” ocupavam a banda Sul da Praça, com frontaria virada para esta e traseiras para o Paço dos donatários da vila, seu jardim anexo e ermida do Espírito Santo.

Cronologia

Primitiva: século XIV (?)

Actual: século XVII

Autor

AP